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Morre o artista Shell Jr.






Shell Jr.

O artista plástico, desenhista, cenógrafo e diretor de arte goiano Carlos Dias de Medeiros Júnior, o Shell Jr., de 52 anos, responsável por diversas campanhas publicitárias da Unimed Goiânia, morreu no último dia 17 de julho, em decorrência de uma hemorragia esofágica, no Hospital São Marcos, em Teresina, no Piauí. 

Ele estava internado há dois dias na unidade médica para estancar o sangramento, mas não resistiu. O sepultamento foi realizado no dia seguinte no cemitério Padre Lourenço, em Mara Rosa, sua terra natal, a 350 km de Goiânia. 

Shell Jr. cursou – sem, entretanto, graduar-se – Artes Plásticas, na Universidade Federal de Goiás, e Arquitetura, na Universidade Católica de Goiás, nos anos de 1981 a 1984. Em sua carreira se dedicou aos trabalhos de direção e produção de arte no cinema, no teatro e na dança. Também dirigiu projetos de criação e produção da empresa Cantagalo Comunicação, agência que durante muitos anos executou projetos de marketing e propaganda para a Cooperativa, da qual foi sócio-proprietário. 

Atuação na Unimed Goiânia
 

Capas dos Relatórios de Gestão 2008 a 2011

Defensor da identidade cultural de Goiás, Shell Jr. trouxe elementos artísticos do Art Decó, da Folia de Reis, das Cavalhadas e do Cerrado para compor peças para a Unimed Goiânia, como as diversas edições do Relatório de Gestão. Com um talento especial, ilustrou os princípios cooperativistas com desenhos das brincadeiras infantis presentes em nossa infância, conectando-os a partir de valores humanos. O estande da Cooperativa, montado na Convenção Nacional da Unimed realizada em Goiânia, encantou autoridades, congressistas e visitantes, pela delicadeza artesanal da combinação de elementos presentes na cultura goiana.
 

Dr. Adriano Auad

"Em nome dos membros do Conselho de Administração lamentamos sua perda e oferecemos nossa solidariedade aos familiares e amigos. Admiramos e reconhecemos seu talento artístico, que se manifestava nas peças mais simples que produzia. Shell Jr. sempre buscava um sentido humano em tudo que fazia e buscava imprimi-lo em suas produções. Sentimos orgulho de termos convivido com ele", destaca Dr. Adriano Auad, diretor-médico da Unimed Goiânia.


Raquel Teixeira

A Secretária de Educação, Cultura e Esporte, Raquel Teixeira, também prestou sua homenagem em uma nota de pesar pela morte do artista. “Um artista talentoso, criativo, inteligente e contestador, que enriqueceu enormemente a nossa cultura com inúmeros e grandes trabalhos como cenógrafo e diretor de arte. Shell deixou sua marca no teatro, na dança, no cinema, na música e nas artes plásticas. Estamos tristes pela perda irreparável”, lamentou.

Cinema

No cinema trabalhou em diversos longas-metragens no circuito nacional como No Coração dos Deuses, de Geraldo Moraes; Terra de Deus, de Iberê Cavalcanti; O Tronco - A Chacina dos Coronéis, de João Batista de Andrade; Brava Gente Brasileira, de Lúcia Murat; Eu me lembro, de Edgar Navarro; Abril Despedaçado, de Walter Salles. 
Também fez a direção de arte de curtas goianos com reconhecimento nacional como O Dono da Pena e A Porta, dirigido por Claudia Nunes; Avá-Canoeiro, A Teia do Povo Invisível, de Mara Moreira; Uta, Débora Torres; Bernardo Élis, Monumento às Nações Indígenas, Bernardo Sayão, de PX Silveira; e Inacabado – O Teatro e a Cidade, de Dalton Costa.

Teatro

No teatro, iniciou seus trabalhos no campo da cenografia com o Grupo Via-Láctea, em Goiânia (1984), acompanhado do diretor Marcos Fayad, participou da criação do Centro Cultural Martim Cererê em Goiânia (GO), onde realizou mais de trinta trabalhos, dentre eles:

-Martim Cererê/Pequenos burgueses/Carreira do Divino/Antonin Artaud- (Direção: Macos Fayad).
-Espetáculo Chuvas, em comemoração ao aniversário do Teatro Jorge Amado, em Salvador-BA (Direção: Fernando Guerreiro).
-Roberto Zucco (Direção: Nely Frack).
-Confissões de uma mãe porra louca (Direção: Marcelo Souza).
-Banheiro feminino (Direção: Pedro Zorzetti)
-A Terceira Margem do Rio (Direção: Henrique Rodovalho)
-Traga-me Bombons Coloridos, de Léo Pereira (Direção: Henrique Rodovalho)
- Sobre o que não é dito (Direção: Henrique Rodovalho)
- Três por Três, adaptação coletiva de textos de Nelson Rodrigues, Ariano Suassuna e Jorge Andrade, montado pela Cia de Teatro Nu Escuro com a direção de Sandro Di Lima.
 - Boca do Inferno (2001) e o espetáculo Melodia Parati, também criação coletiva com direção de Reginaldo Saddi, montado pela Cia de Teatro Nu Escuro.

Dança

De 1994 a 2004 produziu com a Quasar Cia. de Dança, sob direção do coreógrafo Henrique Rodovalho, alguns espetáculos:
-O ovo da galinha (1993)
-Senhores de pouca visão (1993)
-Versus (1994)
-Registro (1997)
-Divíduo (1998)
-Coreografia para ouvir (1999)
-Empresta-me teus olhos (2001)
-O+(2004)
Para a Fundação Gulbenkian (Lisboa-Portugal), fez a cenografia do espetáculo Prumo, com coreografia de Henrique Rodovalho para o Ballet Gulbenkian, com estreia mundial na Europa.

Outras atividades

1991/1995 - Coordenou e ministrou aulas no curso de artes plásticas no Musika Centro de Estudos em Goiânia.
2000/2004 - Atuou na Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia, dirigindo eventos/espetáculos, como a 1ª Festa Junina de Goiânia e a 1ª Encenação da Paixão de Cristo. Ainda na Secretaria de Cultura, assumiu a direção do Museu de Arte de Goiânia, por ocasião de sua reabertura.

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